Cães de serviço são apresentados na Expointer 2026
Exposições de Cimarrón Uruguayo e Ovelheiro Gaúcho e prova de pastoreio com ovelha da raça Border Collie ocorrem na feira
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Lili é uma cachorra da raça Border Collie. Tem quatro anos e faz manejo (trabalho diário) de ovinos, além de apresentações de pastoreio na Casa da Ovelha, em Bento Gonçalves. Neste sábado (5/9), na Pista Central da 49ª Expointer, ela participou da prova de pastoreio com ovelhas pela primeira vez, junto com outros 19 cães da raça oriundos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. A atividade é promovida pela Associação Border Collie Mercosul (ABCM) desde 2022. Ao mesmo tempo, na Pista de Gado Leiteiro, aconteciam exposições especializadas de cães das raças Cimarrón Uruguayo e Ovelheiro Gaúcho.
O pastor de ovelhas Everton Pasquali, responsável por Lili, contou que ela é dócil e tranquila até colocarem ovelhas na sua frente. “Então, a Lili se transforma e faz o seu trabalho.”
Segundo Pasquali, a alimentação dos cães é bem variada. “Sempre comem no final do dia. Nunca durante o trabalho”, esclareceu. “Dou ração misturada com carne, iogurte natural, queijo de ovelha, legumes e patas de galinha.”
As provas de pastoreio duram cinco minutos cada, e nesse tempo o exemplar deve executar um percurso. “A prova simula o trabalho do dia a dia dos cães no campo. Tem diversos obstáculos, e o vencedor é o que faz o percurso em menor tempo e não erra os comandos”, explicou o presidente da ABCM, Márcio Souza.
Border Collie, um peão de quatro patas
A criadora Carla Krebs contou que essa é uma raça que se desenvolveu na fronteira da Escócia com a Inglaterra, uma zona montanhosa, onde só os cães conseguiam ir. “Assim foram selecionados os melhores cães de trabalho ao longo de 300 anos. Eles possuem características únicas, como olhar intenso, trabalhar sem latir, agilidade, resistência, além de uma inteligência fora dos padrões”, contou.
De acordo com Carla, no campo, devido à falta de mão de obra, o Border Collie se tornou um peão de quatro patas, além de ser um companheiro para todas as horas. Quanto às vantagens econômicas, ela citou ganho de tempo e trabalho sem estresse. “Ele substitui fácil três peões. No meu caso, como mulher, foi uma independência. Trabalho só eu e os cães, e fazemos todos os trabalhos da propriedade.”
Cimarrón Uruguayo e Ovelheiro Gaúcho
As exposições avaliam a morfologia e o movimento dos exemplares. Foram promovidas e organizadas pelo Departamento Gaúcho de Cimarrón Uruguayo, pela Federação Cinológica do Rio Grande do Sul (Fecirs) e pelo Conselho Brasileiro da Raça Ovelheiro Gaúcho da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) e ocorreram na Pista do Gado Leiteiro. Participaram 45 Ovelheiros Gaúchos e 20 Cimarrón Uruguayos, que foram avaliados por juiz homologado pela CBKC, seguindo o padrão oficial de cada raça.
Conforme a presidente da Fecirs, Clarice Oliveira, a competição é uma oportunidade de valorizar e divulgar duas raças que têm uma ligação muito forte com a história e a vida rural do sul. “Acho que a presença das duas raças na Expointer é muito interessante justamente porque são cães que estão presentes nos nossos campos há bastante tempo e que foram selecionados por sua capacidade de trabalhar ao lado do homem", explicou.
Sobre o Ovelheiro Gaúcho
É uma raça brasileira, desenvolvida no Rio Grande do Sul e diretamente ligada ao trabalho no campo. Sua principal função é conduzir e manejar rebanhos, especialmente ovelhas, podendo trabalhar também com outros tipos de gado.
O cão possui estrutura mediana, é resistente, rústico, ágil, inteligente e muito atento aos comandos. É dócil e amigável com as pessoas com quem convive, mas, no trabalho, demonstra bastante autonomia e iniciativa. É comum que um bom Ovelheiro consiga realizar sozinho tarefas que exigiriam a participação de várias pessoas, o que mostra a importância que esse cão sempre teve na rotina das propriedades rurais.
A coordenadora do Conselho Nacional da Raça Ovelheiro Gaúcho da CBKC, Ana Luiza Schames, cria 27 cães da raça no canil Morada de São Chico, na Zona Sul de Porto Alegre, em uma área de sítio. Conforme Ana Luiza, o objetivo da criação é preservar, selecionar e divulgar a raça, buscando cães saudáveis, equilibrados, funcionais e dentro do padrão da linhagem. “As exposições são muito importantes porque permitem que os animais sejam avaliados por juízes especializados em relação ao padrão da raça. Igualmente, são uma grande vitrine para que mais pessoas conheçam o Ovelheiro Gaúcho”.
Cimarrón Uruguayo
É um cão de tamanho médio, forte, compacto, musculoso, com boa ossatura e bastante ágil. A raça também possui uma história ligada ao campo. Sua origem não é totalmente conhecida, mas sabe-se que descende de cães trazidos pelos conquistadores espanhóis e portugueses. “Muitos deles acabaram vivendo soltos e cruzando entre si. E a seleção natural fez com que sobrevivessem os animais mais fortes, resistentes e inteligentes”, explica Clarice.
O diretor do Departamento Gaúcho de Cimarrón Uruguay, Lucimar Feijó, participou com 19 cães. Ele cria os animais junto com a esposa Celi no canil Centinela Criollo, em Viamão. “Hoje ganhamos os prêmios ‘O Melhor Inicial’ e o ‘Melhor Filhote’, entre outros”, celebrou.
Texto: Darlene Silveira/Ascom Expointer
Edição: Paula Sória Quedi/Ascom Expointer





